quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O sexo reduz o risco de um homem ter câncer de próstata?

Pesquisas sugerem que certos aspectos do sexo, como número de parceiros sexuais, idade da primeira relação sexual e frequência de ejaculação podem afetar o risco de câncer de próstata. No entanto, mais pesquisas são necessárias antes que os médicos possam “prescrever” o sexo como uma forma definitiva de reduzir o risco.

Em um artigo do Journal of Sexual Medicine de agosto de 2018, os cientistas relataram sua revisão de 22 estudos sobre o tema. No geral, os estudos envolveram mais de 55.000 homens.


Número de parceiros sexuais


Os homens que tinham menos parceiros sexuais durante a sua vida pareciam estar em menor risco de câncer de próstata. O risco aumentou 1,10 vezes para cada 10 parceiros femininos que um homem tinha.


Idade no primeiro intercurso


Homens que tiveram sua primeira experiência com a relação sexual em idades mais avançadas também apresentavam menor risco de câncer de próstata. Para cada cinco anos de atraso, o risco diminuiu 4%. Em outras palavras, um homem que teve relações sexuais pela primeira vez aos 16 anos correria maior risco do que um homem cuja primeira experiência foi aos 21 anos.

É possível que homens com menos parceiros e aqueles que esperam mais para ter relações sexuais possam ter menos exposição a infecções sexualmente transmissíveis e comportamentos sexuais de risco, o que pode ter um papel no risco de câncer, de acordo com a revisão.


Frequência de Ejaculação


Pesquisas também sugerem que ejacular com mais frequência - seja por meio de sexo em parceria ou por meio de masturbação - pode reduzir suas chances de desenvolver câncer de próstata de baixo risco, mas os cientistas não têm 100% de certeza.

Os autores da revisão de 2018 observaram que ejacular duas a quatro vezes por semana pode proteger os homens em algum grau. Acredita-se que a ejaculação reduza a quantidade de substâncias causadoras de câncer nos fluidos da próstata.

Mais pesquisas são necessárias para confirmar todas as conclusões da revisão, no entanto.



Alguns fatores de risco de câncer de próstata, como idade, etnia e genética, estão fora do controle de um homem. Mas manter hábitos saudáveis ​​pode ajudar muito a reduzir o risco de câncer e outras condições de saúde graves. Especialistas aconselham os homens a:

  • Siga uma dieta sensata
  • Perder peso em excesso
  • Faça exercício suficiente
  • Parar de fumar
  • Pratique sexo seguro


Os homens que estão preocupados com o risco de câncer devem falar com seu médico.


Você poderá obter mais informações sobre este tema nos links a seguir:

American Cancer Society
"Fatores de risco para câncer de próstata"
(Última revisão: 11 de março de 2016)

BerkeleyWellness.com
Shaw, Gina
"O sexo freqüente pode prevenir o câncer de próstata?"
(28 de junho de 2017)

The Journal of Sexual Medicine
Jian, Zhongyu MD, et al.
“Atividade sexual e risco de câncer de próstata: uma meta-análise de dose-resposta”
(Artigo em texto completo na imprensa. Publicado online: 16 de agosto de 2018)

WebMD
"O sexo, a masturbação pode afetar o risco de câncer de próstata?"
(30 de junho de 2017)

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Intersexual conta como ganhou um novo pênis dos médicos

No início deste ano, Anick, de 23 anos, que nasceu intersexual, estava se preparando para a última de uma série de cirurgias para ter um pênis totalmente funcional. A BBC acompanhou de perto sua jornada.

Anick Reconstrução Genital Intersexual
'Os médicos usavam palavras como 'anormal' e 'atípico' para se referirem a mim', lembra Anick 


"Perdi a conta de quantos médicos e enfermeiras me viram pelado ao longo dos anos", conta.

"Apenas nos últimos anos, foram mais de 100."

Anick nasceu com órgãos genitais que não se encaixavam na definição padrão da anatomia do sexo masculino, tampouco do feminino.

"Os médicos disseram aos meus pais: 'Essa criança se parece mais com um menino, mas ainda não temos certeza'", diz ele.


Ele tinha testículos, mas estavam no lugar errado. Aos quatro meses, foi submetido à sua primeira cirurgia - para mudá-los de posição.

Ao longo da infância, Anick ouvia que não era como os outros meninos.

"Eu sabia que havia algo diferente em mim, mas não entendia o quê", diz ele.

"Sabia que meus pais me amavam, mas ao mesmo tempo me levavam ao hospital a cada seis meses, onde os médicos usavam palavras como 'anormal' e 'atípico' para se referirem a mim."


Ele achava difícil fazer amizades na escola e se lembra de prender a respiração na infância, numa tentativa de se sufocar, e de forçar as tampas das garrafas de alvejante com dispositivos de segurança "à prova de crianças" para tentar abri-las.

Anick aos 14 anos
Após uma tentativa de suicídio mais séria aos 14 anos, ele passou a receber acompanhamento terapêutico, mas não conseguiu se abrir para revelar a origem de seus problemas.

"Eu não queria que ninguém mais soubesse", diz ele. "Estava muito, muito isolado."

"Eu achava que ninguém sabia a respeito do que havia de diferente em mim, que eu era o único no mundo assim, apenas um caso milagroso aleatório", diz ele.

Somente há cinco anos, aos 18 anos, que ele descobriu que havia um nome para sua condição - ele era intersexual - e a razão para todas as cirurgias e tratamentos hormonais a que fora submetido.

A constatação de que havia outras pessoas como ele fez uma grande diferença.

"De repente, me dei conta de que não tenho que ter vergonha de quem eu sou e de como nasci."

Os médicos também disseram a Anick que ele poderia fazer uma cirurgia reconstrutiva para ter um pênis novo ao completar 18 anos, quando estaria apto a dar seu próprio consentimento. Falaram para ele não se apressar para tomar uma decisão e só seguir em frente quando se sentisse confortável.


Três anos depois, em 2016, Anick decidiu que estava pronto.

"Foi quando tive uma epifania", diz ele.

"Precisava começar a compartilhar com as pessoas. Precisava dizer a verdade. Eu ia passar por muitas cirurgias sérias - e quantas vezes você pode tirar o apêndice? Perdi a conta do número de vezes que usei essa desculpa."

Ele começou contando aos primos, tios e tias - e ficou surpreso quando eles não reagiram com repúdio.

"Eu não imaginava que as pessoas poderiam ser tão acolhedoras com algo que eu estava escondendo há tanto tempo", diz ele.

A cirurgia final estava marcada para junho de 2018, o que dava a Anick a esperança de que em breve ele finalmente se sentiria confiante o suficiente para viver seu primeiro relacionamento amoroso.

É fevereiro de 2018 e Anick está a caminho da conferência da Organização Internacional de Intersexuais (OII, em inglês) em Copenhague, na Dinamarca. Ele está animado, mas também muito nervoso.

"É muito surreal", diz ele. "Pela primeira vez na minha vida, não serei o cara esquisito. Estou descobrindo minha tribo - pode soar estranho, mas é assim que eu sinto."


Representantes de todo o mundo, como Anick, estão chegando para discutir questões que dizem respeito a todos eles e para compartilhar suas experiências.

"Por mais estranho que pareça, em poucas horas de reunião estávamos todos falando sobre nossos órgãos genitais", diz Anick.

Ele gosta da sensação de estar perto de pessoas para quem não precisa dar explicações. E se pergunta se "ser normal" é assim.

Mas também fica surpreso ao se sentir um pouco isolado, porque muitas pessoas têm experiências diferentes das dele. É inquietante.

"Estou cercado de pessoas capazes de entender como estou me sentindo, mas ao mesmo tempo elas não passaram pela mesma coisa", diz ele.

No geral, a experiência deixa Anick com sentimentos contraditórios.

"É a história da minha vida", diz ele. "Não me encaixo como homem, não me encaixo como um intersexual. Então eu sou o quê? Quem sou eu? É uma droga isso."


Algum tempo depois, Anick se comunicou via Skype com um ativista intersexual de Chicago, Pidgeon Pagonis. Assim como ele, Pidgeon nasceu sem um órgão genital completamente formado - mas no seu caso, os cirurgiões decidiram criar uma vagina, em vez de um pênis.

Pidgeon foi criado como menina, mas hoje prefere que usem o pronome "they" (que, na língua inglesa, é indefinido e neutro) para se referirem a ele, em vez de "she" (ela, em inglês).

Hoje, ele considera essas cirurgias procedimentos estéticos desnecessários. Em sua opinião, a realização de uma operação para modificar o corpo saudável de uma criança intersexual é uma violação de direitos humanos.

"Eu diria: 'Por favor, deixe seu filho crescer como a pessoa intersexual que ele é e permita que um dia ele tenha autonomia sobre seu próprio corpo", diz Pidgeon.


"Deveríamos estar pressionando os médicos para que parem de aperfeiçoar as cirurgias para bebês e comecem a aperfeiçoar as cirurgias para adultos intersexuais, que de fato podem desejá-las."

Esse é um pensamento compartilhado por Anick, cuja família não chegou nem a ser informada de que havia a opção de esperar para fazer a cirurgia.

"Se um médico disser que seu filho precisa de cirurgia, ouça (antes de decidir)", diz ele.

Após participar da conferência da OII e conversar com Pidgeon, Anick também acredita que muitas cirurgias que fez na infância foram "puramente estéticas".

Ele pensou muito sobre até que ponto ele queria mesmo fazer a operação que estava agendada - ou se seria algo que a sociedade fez ele sentir que precisava para ter uma vida mais feliz.

Mas decidiu seguir em frente.


Agora é junho de 2018 e Anick está prestes a ir para o hospital.

Em 2017, os médicos retiraram amostras de pele do seu braço esquerdo para usar na reconstrução do pênis. Após o procedimento que fez na época, passou-se um ano até conseguir o órgão para urinar adequadamente.

Anick reconstrução peniana Intersexual
Médicos utilizaram pele do braço de Anick para construir o pênis

Anick anda de um lado para o outro de camisola, cueca e meias cirúrgicas, uma rotina muito familiar agora.

Hoje, os cirurgiões vão colocar uma prótese em seu pênis, que ele vai precisar bombear se quiser fazer sexo com penetração.

"Me sinto como um ciborgue", diz ele.

"Mas pelo menos não vou ter problemas de performance sexual ou ansiedade."


Parte dele acha muito legal ter um dispositivo implantado no pênis. Mas outra se pergunta como ele vai explicar isso quando estiver em um relacionamento. Ele nunca namorou, mas tem esperança de que vai encontrar o amor após a cirurgia.

"Tudo na minha vida vai ser diferente", diz Anick. "Eu finalmente vou sentir algo mais próximo do que os outros caras sentem, e talvez eu possa experimentar o que outras pessoas fazem na minha idade. Eu sempre evitei relacionamentos por aversão ao meu próprio corpo e autodepreciação, mas venho trabalhando para superar isso."

A operação correu bem. Anick diz que "as coisas lá embaixo" parecem bem diferentes agora. Ele não sabe quanto tempo vai demorar para se acostumar.

Ele se prepara para ir para casa, onde seus pais vão cuidar dele. Seu pênis novo vai ter que ficar em uma posição específica durante a semana seguinte - e parece que ele está com uma ereção permanente.


"Sempre que as pessoas vêm me visitar, fico 'animadinho', mesmo quando não estou", diz com bom humor.

Um mês se passou. E, desde que saiu do hospital, Anick sentia muita dor. Ele nunca tinha sentido tanta dor assim antes, apesar do longo histórico de cirurgias. Aconteceram ainda algumas complicações, o que resultou em diversas idas à emergência.

Mas Anick está tentando deixar tudo isso para trás.

"Hoje é um dia histórico", diz ele. "É a primeira vez que pessoas intersexuais vão marchar na parada do orgulho LGBT em Londres."


Nem todos os intersexuais são lésbicas, gays ou bi, mas algumas pessoas acham que a marcha é um bom lugar para informar as pessoas sobre a comunidade intersexual.

É um dia quente de verão e Anick, junto a outros 30 intersexuais - a maioria heterossexual -, se junta à celebração que toma conta das ruas do centro de Londres.

"Nesta mesma época, no ano passado, eu não conhecia outra pessoa intersexual", diz Anick.

"Eu fui para a parada sozinho e estava basicamente procurando minha família intersexual. Mas não consegui encontrar ninguém. Agora, neste ano, estou indo com um grupo só de intersexuais."


Ele não consegue parar de sorrir.

"Não consigo parar de pensar no quanto minha vida mudou no último ano", diz ele.

"É inacreditável que isso tenha acontecido. Há muitos de nós aqui hoje. Somos de idades, origens e países diferentes. Quer algo mais inclusivo?"

Agora é agosto de 2018. E Anick precisou ser submetido a outra operação para corrigir o que tinha dado errado. A prótese implantada em seu pênis estava enrolada em torno de um de seus testículos, causando uma dor lancinante.

Ele ainda sente dor e precisa tomar cuidado com infecções, mas tem esperança de que não vai precisar passar por novas cirurgias nos próximos cinco ou sete anos, quando a bomba peniana precisará passar por manutenção ou talvez ser substituída, caso um modelo mais novo esteja disponível.

Como não vai mais precisar entrar e sair do hospital regularmente, Anick conseguiu seu primeiro emprego, na universidade em que se formou. E também está passando por outras mudanças.


"Assim que fiz a cirurgia, vi meu corpo de uma maneira completamente diferente", diz ele. "Agora estou mais confortável com isso, e falar sobre isso me aproximou de outras pessoas."

Ele está se aproximando de seus pais também.

"Eu cresci sentindo que eles não estavam fazendo o suficiente e eles não sabiam o que estava acontecendo", diz ele. "Mas não percebi o quanto eles estavam no escuro e sobrecarregados. Meus pais não receberam apoio suficiente e só fizeram o que achavam que era certo."

De uma maneira geral, ele diz que a cirurgia o deixou muito mais feliz. Desde então, começou a usar um aplicativo de namoro - e já saiu com algumas pessoas.

"Só estou vendo o mundo lá fora", diz ele.


"Um dos primeiros encontros não foi tão bom - saí com uma garota que disse que eu não era realmente um homem. Saí então com um cara, mas não senti nada. Estou tendo os problemas normais que as pessoas enfrentam em encontros e relacionamentos. É uma sensação agradável."

Anick espera que falar sobre o que costumava ser o grande segredo da sua vida ajude outras pessoas em situação semelhante.

"Eu sou normal, só não sou comum", diz ele.

"Não há uma única história de intersexualidade, mas espero que a minha inspire outras pessoas a contarem as suas."

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Como homens e mulheres respondem a imagens sexualmente explícitas?

Homens e mulheres podem processar automaticamente material sexualmente explícito de maneiras semelhantes, mas seus sentimentos subjetivos podem variar, de acordo com um novo estudo no Journal of Sexual Medicine.

Os pesquisadores pediram a um grupo de estudantes universitários heterossexuais - 26 mulheres e 30 homens - que participassem de uma tarefa durante a qual as imagens eram exibidas na tela do computador. Algumas imagens eram românticas (como um casal se abraçando), algumas eram sexualmente explícitas (como um casal tendo relações sexuais) e algumas eram neutras (como objetos domésticos). As imagens foram posicionadas aleatoriamente, uma de cada vez, no centro da tela do computador.

Enquanto as imagens eram exibidas, os participantes identificaram uma letra (N ou Z) colocada à esquerda ou à direita da imagem. Assim que reconheceram a carta, pressionaram a letra correspondente em um teclado. A atenção foi avaliada com base nos tempos de resposta e na identificação correta das letras.

Depois disso, os participantes responderam a perguntas. Eles acharam as imagens agradáveis? Geralmente despertando? Sexualmente despertando?

No geral, os tempos de resposta foram mais longos e o reconhecimento de letras foi menos preciso quando imagens sexualmente explícitas foram exibidas na tela.

Curiosamente, os resultados de homens e mulheres na tarefa em si foram semelhantes. Mas quando eles responderam as perguntas, algumas diferenças surgiram. Por exemplo, os homens geralmente classificaram as imagens sexualmente explícitas como "mais excitantes", enquanto as mulheres classificaram-nas como "menos agradáveis".

É possível que as imagens sexualmente explícitas não se encaixem nas visões de erótica das mulheres. Além disso, “restrições sociais” podem ter influenciado as avaliações das mulheres.

"Esses padrões se alinham à ideia de que algumas das nossas respostas e preferências sexuais são culturalmente orientadas", escreveram os autores do estudo.


Fonte:

The Journal of Sexual Medicine
Carvalho, Joana, PhD, et al.
“Diferenças entre os sexos na atenção automática ao estímulo sexual romântico e explícito”
(Texto integral. Agosto de 2018)

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Pênis pequeno pode interferir na fertilidade, revela estudo



Homens com pênis menores estão mais propensos a terem problemas de fertilidade, revela novo estudo apresentado na conferência da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM, na sigla em inglês), que está acontecendo esta semana nos Estados Unidos. Os pesquisadores descobriram que indivíduos menos férteis tendem a ter o órgão cerca de um centímetro menor durante ereção se comparados aos que não apresentam qualquer problema.

Apesar disso, Austen Slade, principal autor da pesquisa, afirmou que homens saudáveis ​​não devem começar a se preocupar demais com a relação entre o tamanho e a fertilidade já que outras condições subjacentes, como problemas hormonais, interferem tanto na fertilidade quanto no tamanho do órgão sexual. “É possivelmente uma manifestação de fatores genéticos ou congênitos que predispõem à infertilidade”, disse ao The Telegraph. Esta é a primeira pesquisa a identificar uma associação entre menor comprimento peniano e infertilidade masculina.


O estudo

A equipe analisou dados de 815 homens que visitaram uma clínica de saúde masculina entre 2014 e 2017; entre estes, 219 procuraram ajuda para tratar a infertilidade e 596 para outras condições, como disfunção erétil e dor testicular. Os participantes foram medidos através de um teste padrão chamado de “comprimento do pênis esticado”, que estima o tamanho do órgão sexual masculino quando ereto. Os testes ainda levaram em consideração peso, raça e a idade dos voluntários.

Os resultados mostraram que o grupo sem problemas reprodutivos apresentou comprimento médio de 13,4 cm enquanto o grupo infértil teve uma média de 12,5 cm. “Um centímetro pode não ser uma diferença marcante, mas houve uma significância estatística clara. Ainda é preciso determinar se existem diferentes limites de comprimento do pênis que preveem infertilidade mais grave”, explicou Slade ao Daily Mail.


Outras pesquisas


Estudos anteriores já haviam relacionado problemas nos genitais masculinos com a fertilidade. A criptorquidia — condição na qual os testículos não descem para o saco de pele antes do nascimento — enfraquece a produção de espermatozoides. Isso acontece porque os testículos estão localizados muito perto do corpo, aumentando a temperatura do esperma. Segundo especialistas, o calor pode interferir na qualidade e na produção. Menos espermatozoides foram encontrados no caso de homens com testículos pequenos.

Outras pesquisas também mostraram que a distância anogenital (distância média entre o ânus e a genitália) pode determinar a qualidade do esperma. Homens com distância anogenital (AGD, na sigla em inglês) abaixo da média (52 milímetros) estão sete vezes mais propensos a apresentarem problemas de fertilidade. “Se alguém tem um curto AGD e tem problemas para conceber, eu diria que é preciso procurar um médico porque isso pode indicar que algo está errado”, alertou Shanna Swan durante entrevista à Reuters em 2011.

Além disso, pesquisadores descobriram que mulheres gestantes expostas a maior quantidade de ftalatos — substâncias químicas usadas em produtos de consumo diário, como cosméticos, embalagens de alimentos e materiais de limpeza doméstica — têm maior probabilidade de ter um filho com medidas reduzidas de AGD.

relatório do ano passado mostrou que os níveis de fertilidade dos homens ocidentais vêm caindo nos últimos 40 anos. Apesar da queda significativa, os cientistas ainda não conseguem explicar exatamente porque isso acontece.


Críticas

Embora as descobertas sejam importantes, Sheena Lewis, especialista em reprodução da Queen’s University, no Canadá, acredita que os homens podem ficar ainda mais preocupados com o tamanho do órgão sexual, especialmente quando esse fato pode indicar menor chance de se tornar pai. Ela ainda destaca que o estudo não determinou qual é o “comprimento normal do pênis”, nem informa se o tamanho menor mostrado na pesquisa é anormal. “Essa é uma ideia muito nova e, por isso, mais pesquisas são necessárias”, disse ao The Telegraph.


terça-feira, 21 de agosto de 2018

Diretrizes Mais Recentes para Terapia com Testosterona

A American Urological Association (AUA) é uma organização profissional para urologistas. Fundada em 1902, a organização agora tem mais de 21.000 membros. Um de seus muitos papéis é fornecer orientações sobre vários aspectos da saúde urológica para que os médicos possam atender melhor seus pacientes.

Em abril de 2018, a AUA publicou uma nova diretriz clínica para o diagnóstico e tratamento da deficiência de testosterona. Inclui 31 recomendações.


O que é deficiência de testosterona?

Você provavelmente já ouviu falar sobre a testosterona à luz da saúde sexual masculina. Produzido pelos testículos, este hormônio impulsiona a libido, dá aos homens suas características físicas (como pelos faciais) e ajuda a manter a massa muscular.

Os corpos de alguns homens não produzem testosterona suficiente. Essa situação, chamada hipogonadismo, pode acontecer quando há problemas nos testículos ou na parte do cérebro que desencadeia a produção de testosterona. O hipogonadismo também pode ser resultado de quimioterapia, radioterapia, inflamação, infecção e obesidade.

Além disso, os corpos dos homens produzem menos testosterona à medida que envelhecem. Na verdade, os níveis de testosterona caem de 1% a 3% a cada ano após o 40º aniversário de um homem. Como resultado, alguns - mas não todos - homens começam a ter sintomas como baixo desejo sexual, fadiga, mau humor, disfunção erétil (DE) e diminuição da massa muscular.

Figura: Arq. Bras. Cardiol. vol.79 no.6 São Paulo Dec. 2002


Como é diagnosticada a deficiência de testosterona?

De acordo com a nova diretriz da AUA, dois critérios devem estar presentes para um homem ser diagnosticado com deficiência de testosterona:

  • Seus níveis de testosterona devem ser inferiores a 300 ng/dl. Duas medições totais de testosterona tomadas em duas ocasiões diferentes são recomendadas. Como os níveis de testosterona nos homens variam durante o dia, as medições matinais são a regra geral.

  • O homem deve exibir sintomas de baixa testosterona, como os mencionados acima - baixa libido, baixa energia, depressão, disfunção erétil, etc.


Se um homem atende apenas a um desses critérios, ele não tem deficiência de testosterona.


O que é terapia de reposição de testosterona (TRT)?

Terapia de reposição de testosterona (TRT) é prescrita para alguns homens com deficiência de testosterona. Esta forma sintética de testosterona é tipicamente administrada através de géis, adesivos ou injeções.


O que a AUA recomenda?

Algumas das recomendações estabelecidas pela AUA incluem o seguinte:

  • Os médicos devem informar os pacientes com deficiência de testosterona que a baixa testosterona é um fator de risco para doenças cardiovasculares. Nota: Em 2015, a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) emitiu um comunicado, expressando preocupações de que os homens que tomam testosterona possam estar em maior risco de ataque cardíaco e derrame. No entanto, o link para esses eventos foi considerado controverso.

  • Os médicos devem informar os pacientes sobre a ausência de evidências ligando a terapia com testosterona ao desenvolvimento do câncer de próstata. Nota: Tem havido preocupações de que a terapia com testosterona pode levar ao câncer de próstata, mas esta ligação não foi comprovada. No entanto, a testosterona pode estimular o crescimento das células cancerígenas da próstata existentes, pelo que o TRT não é habitualmente recomendado para homens com cancro da próstata.

  • O impacto a longo prazo da testosterona exógena na espermatogênese deve ser discutido com pacientes interessados ​​em fertilidade futura. A terapia com testosterona exógena não deve ser prescrita para homens que estão atualmente tentando engravidar. Nota: A testosterona é importante para a produção de espermatozóides, mas a forma sintética usada no TRT pode interferir nesse processo. Às vezes, a contagem de espermatozóides aumenta depois que os homens param o TRT, mas isso não pode ser garantido. Os homens podem decidir depositar seu esperma antes de iniciar a terapia.

  • Os médicos devem discutir o risco de transferência com pacientes usando géis/cremes de testosterona. Os homens são aconselhados a lavar bem as mãos depois de aplicar a testosterona na pele para evitar a transferência para outra pessoa. Eles também devem cobrir a área de aplicação antes do sexo. (Por exemplo, se a testosterona é aplicada no ombro, usar uma camiseta pode reduzir o risco de transferir o gel ou creme para um parceiro.)

  • Os níveis de testosterona devem ser medidos a cada 6-12 meses durante a terapia com testosterona. Nota: Enquanto no TRT, é importante que os homens consultem seu médico regularmente para consultas de acompanhamento, para que os níveis de testosterona possam ser avaliados e o tratamento possa ser ajustado, se necessário.



TRT é certo para você?

Como mencionado acima, nossa discussão aqui abrange apenas algumas das recomendações da AUA. A orientação em si, juntamente com uma avaliação completa da sua saúde geral, pode ajudar você e seu médico a decidir se o TRT é apropriado para você.

terça-feira, 31 de julho de 2018

"Disforia pós-coital" afeta ambos os sexos e atingiu 41% dos homens

Homens e mulheres sofrem de sentimentos de tristeza, choro ou irritabilidade após o sexo, descobriram os pesquisadores.


Embora a condição, conhecida como disforia pós-coital (DPC), tenha sido reconhecida em mulheres, o novo estudo é o primeiro a descobrir que também afeta homens.

Constatou-se que 41 por cento dos homens relataram sintomas em algum momento de sua vida.

"O estudo analisa os resultados de uma pesquisa on-line internacional anônima com 1.208 homens da Austrália, dos EUA, do Reino Unido, da Rússia, da Nova Zelândia, da Alemanha e de outros países", disse o professor Robert Schweitzer da Escola de Psicologia e Aconselhamento da QUT.

Quarenta e um por cento dos participantes relataram ter sofrido DPC durante a sua vida, com 20 por cento relatando a experiência nas últimas quatro semanas.

"Até quatro por cento sofria de DPC regularmente".

O artigo - Disforia pós-coital: prevalência e correlatos entre os homens - foi publicado pelo International Journal of Sex & Marital Therapy.

Maczkowiack revelou que os homens que experimentaram a tristeza após o sexo descreveram experiências que vão desde "eu não quero ser tocado e quero ser deixado sozinho" para "eu me sinto insatisfeito, irritado e muito inquieto". "Tudo o que eu realmente quero é sair e me distrair de tudo que eu participei".

"Outro sentimento descrito foi 'sem emoção e vazio' em contraste com os homens que experimentaram positivamente a experiência pós-coito e descreveram como 'sensação de bem-estar, satisfação, contentamento' e proximidade com o parceiro", disse ele.

O professor Schweitzer disse que os resultados indicaram que a experiência masculina de sexo pode ser muito mais variada e complexa do que se pensava anteriormente.

Também teve implicações para futuras terapias e um discurso mais aberto sobre a experiência sexual masculina.

"As três primeiras fases do ciclo de resposta sexual humana - excitação, platô e orgasmo - têm sido o foco da maioria das pesquisas até hoje", disse o professor Schweitzer.

A experiência da fase de resolução permanece um pouco misteriosa e, portanto, pouco compreendida.


Acredita-se comumente que homens e mulheres experimentam uma série de emoções positivas, incluindo contentamento e relaxamento, imediatamente após a atividade sexual consensual.

“No entanto, estudos anteriores sobre a experiência de mulheres com DPC mostraram que uma proporção semelhante de mulheres experimentou DPC regularmente.

Tal como acontece com os homens neste novo estudo, não é bem compreendido. Nós especularíamos que as razões são multifatoriais, incluindo fatores biológicos e psicológicos.

O Sr. Maczkowiack disse que as evidências anedóticas de contextos clínicos, bem como as contas pessoais postadas em blogs online, sugeriram que a DPC ocorria entre os homens e tinha o potencial de interferir nas interações do casal após a atividade sexual.

"Estabeleceu-se, por exemplo, que os casais que se envolvem em conversas, beijos e carinho após a atividade sexual relatam maior satisfação sexual e de relacionamento, demonstrando que a fase de resolução é importante para a união e a intimidade", disse ele.

"Portanto, o estado afetivo negativo que define a DPC tem o potencial de causar sofrimento ao indivíduo, assim como ao parceiro, desorganizar processos de relacionamento importantes e contribuir para a angústia e o conflito dentro do relacionamento e afetar o funcionamento sexual e de relacionamento".

O professor Schweitzer acrescentou que, nas culturas ocidentais em particular, os homens enfrentavam uma série de expectativas e suposições sobre suas preferências, desempenho e experiência de atividade sexual.

Essas suposições são difundidas na subcultura masculina e incluem que os homens sempre desejam e experimentam o sexo como prazeroso.

"A experiência da DPC contradiz essas premissas culturais dominantes sobre a atividade sexual da experiência masculina e da fase de resolução", disse ele.

Os participantes foram recrutados através de mídias sociais, artigos on-line e sites de pesquisa psicológica para preencher voluntariamente um questionário online transversal.

quinta-feira, 26 de julho de 2018

A falta de ereções matinais é uma preocupação?


Normalmente, os homens têm várias ereções enquanto dormem. O processo é chamado de tumescência peniana noturna (TPN) (ou “ereção matinal” na terminologia popular), e ocorre em homens de todas as idades, inclusive crianças pequenas. Essas ereções não são causadas pela estimulação sexual, mas parecem estar associadas ao sono REM (movimento rápido dos olhos).

Se um homem acordar durante ou logo após um período de sono REM, ele pode ter uma ereção matinal.


A falta de uma ereção matinal não é necessariamente uma preocupação. Às vezes, os homens acordam em diferentes pontos do ciclo do sono, quando não ocorre uma ereção.

Ainda assim, ereções matinais podem fornecer algumas pistas sobre a disfunção erétil (DE) . A DE pode ter causas físicas e psicológicas. Às vezes, fatores físicos e psicológicos estão envolvidos ao mesmo tempo.

Quando um homem suspeita que ele tem DE, seu médico pode perguntar sobre ereções matinais. Se ele ainda sofrer de TPN, é provável que seus problemas de ereção tenham uma origem psicológica, já que seu “encanamento” físico ainda está em funcionamento. Se ele não tiver o TPN, os problemas físicos podem ser a raiz do problema.

No entanto, as ereções matinais não são os únicos critérios usados ​​para avaliar a disfunção erétil. Os médicos também considerarão a história médica de um homem, os níveis de testosterona e qualquer medicação que ele tomar.

Homens que acham que não têm ereções matinais como costumavam devem mencionar a situação ao médico.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Praticar exercício pode ajudar com a Disfunção Erétil (DE)?


Sim. Além de outros benefícios para a saúde, o exercício regular pode melhorar as ereções de um homem de várias maneiras.

O exercício é bom para o sistema circulatório. Ele mantém o sangue fluindo suavemente por todo o corpo.

Fluxo sanguíneo suficiente para o pênis é essencial para uma ereção firme. Quando um homem é sexualmente estimulado, seu pênis se enche de sangue. Esse sangue lhe dá a rigidez que ele precisa para a atividade sexual. Uma vez que ele ejacula, o sangue flui para fora do pênis e volta para o resto do corpo.


Sem fluxo sanguíneo adequado, podem ocorrer problemas de ereção. Em alguns casos, a ereção é fraca. Em outros, o homem é incapaz de ter uma ereção.

Às vezes, problemas de fluxo sanguíneo se desenvolvem devido a danos no endotélio ou no músculo liso do pênis - tecidos do pênis que são importantes para as ereções normais. Esse dano pode ser resultado de pressão alta ou de cigarro. Também pode acontecer se um homem tiver níveis elevados de colesterol, triglicérides ou açúcar no sangue.

Uma vez que o endotélio ou músculo liso seja danificado, o pênis pode não funcionar normalmente, mesmo com fluxo sanguíneo adequado. A aterosclerose (endurecimento das artérias) também tem maior probabilidade de se desenvolver. A placa se acumula nas paredes das artérias, o que pode retardar ou bloquear completamente o fluxo sanguíneo.

Como as artérias do pênis são muito pequenas, muitas vezes a DE é um dos primeiros sinais de danos resultantes de outras condições médicas, como diabetes e doenças cardíacas.

Exercício faz mais do que melhorar o fluxo sanguíneo peniano, no entanto. Manter-se em forma mantém o peso de um homem sob controle, pode aumentar seus níveis de testosterona e aumentar sua confiança. Também pode reduzir a depressão e a ansiedade.

Além disso, o sexo exige alguma capacidade aeróbica e alguma flexibilidade articular (acariciar e estimular o parceiro ou mudar de posição durante o sexo). O exercício regular pode facilitar essas atividades.

Esses fatores podem afetar as ereções, bem como outros aspectos da saúde sexual.


Quanto exercício um homem precisa para melhorar a função erétil? Os cientistas consideraram esta questão em um artigo de abril de 2018 do Sexual Medicine.

Depois de analisar 10 estudos sobre o assunto, os especialistas recomendaram 160 minutos semanais de atividade aeróbica moderada de intensidade supervisionada (divididos em blocos de 40 minutos 4 vezes por semana) para homens com disfunção erétil causada por inatividade física, pressão alta, síndrome metabólica ou doença cardíaca. Os homens podem optar por alternar atividades moderadas e vigorosas ou adicionar treinamento de força ao seu regime.

Em geral, o exercício aeróbico aumenta a frequência cardíaca de uma pessoa. Alguns exemplos são:

  • Andar rapidamente
  • Correr
  • Natação
  • Ciclismo
  • Dança
  • Aulas de aeróbica em uma academia
  • Pular corda


Os homens devem consultar um médico antes de iniciar qualquer programa de exercícios. Com a orientação de um médico, um homem pode escolher os tipos de exercícios que são melhores para ele.