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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Pênis pequeno é encanação do jovem na maioria das vezes


Getty Images
Cerca de 50% dos jovens estão insatisfeitos com o tamanho do pênis, segundo o Disque Adolescente

Quem tem conta de e-mail já deve ter recebido dúzias de anúncios de remédios e procedimentos que prometem aumentar o tamanho do pênis. Toda essa propaganda –enganosa, diga-se de passagem– só existe porque o pênis pequeno é um fantasma que assombra os homens brasileiros desde a puberdade.

Cerca de 50% dos adolescentes estão insatisfeitos com o tamanho do pênis, segundo levantamento realizado em 2009, utilizando dados do Disque Adolescente de São Paulo. O serviço da Secretaria de Saúde responde a dúvidas sobre sexualidade e recebe ligações de jovens de todo o país, com idades entre 13 e 20 anos. A experiência cotidiana dos consultórios confirma o que a compilação de dados mostrou. Mas, na maioria dos casos, a preocupação dos jovens (ou de seus pais) não se sustenta após um simples exame clínico.

"Apenas 1% dos adolescentes que chegam ao consultório de urologia com dúvidas referentes ao tamanho do pênis têm, realmente, algum problema a ser diagnosticado. Em geral, são as disfunções hormonais que atrasam o desenvolvimento das características sexuais", afirma Roni de Carvalho Fernandes, professor do Departamento de Urologia da Santa Casa de São Paulo e diretor da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) - Seccional São Paulo.

hebiatra (médico especializado em adolescentes) Marcelo Nunes Iampolsky, professor da Faculdade de Medicina do ABC, diz que é muito comum surgirem dúvidas no início da puberdade, entre os nove e os 14 anos. Segundo o especialista, o primeiro sinal que demonstra a entrada do garoto nessa fase é o aumento do volume dos testículos.

O aumento peniano vem depois e, até que ele ocorra, o garoto pode ter a impressão de que o órgão está "encolhendo" quando, na verdade, são os testículos que estão crescendo. "Quem entrar na puberdade aos 14 anos, por exemplo, só vai notar o crescimento do pênis aos 16", diz Iampolsky.

Muitas vezes, a preocupação com o tamanho do pênis decorre da comparação com amigos da mesma idade, que entraram na puberdade mais cedo. Assim, é comum que o menino que ainda não tenha desenvolvido os órgãos genitais seja alvo de brincadeiras dos colegas.

Por isso, é importante que os pais tranquilizem o adolescente a respeito da individualidade do ritmo de crescimento. "Em geral, um adolescente saudável, com idade entre 15 e 17 anos, já terá atingido o tamanho de pênis que vai manter na fase adulta. Mas o desenvolvimento pode continuar até os 21 anos, mais ou menos", afirma o urologista Fernandes.

Outro problema bastante comum é causado pela obesidade. Segundo pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgada em 2006, 18% dos garotos entre 10 e 19 anos estão acima do peso. "No jovem obeso, há acúmulo de gordura no púbis e o pênis acaba ficando coberto. Chamamos de 'pênis embutido'. O adolescente chega ao consultório achando que seu órgão é muito pequeno mas, assim que diminui a camada de gordura, ele aparece", afirma Iampolsky.

De acordo com a psicóloga Camila Macedo Guastaferro, educadora responsável pelo SOSex, serviço de esclarecimento de dúvidas em sexualidade do Instituto Kaplan - Centro de Estudos da Sexualidade Humana, uma entidade privada, os pais também precisam ter atenção a mudanças de comportamento nessa fase.

"Ansiedade e vergonha de se trocar na frente dos amigos podem ser sinais de que o adolescente está incomodado com o seu corpo", diz a psicóloga Camila. "Nesse momento, o pai pode ajudar, contando como foi para ele essa fase de transição, pois a genética é um dos fatores que mais interfere no desenvolvimento."

Se a questão persistir, ou se os adultos não conseguirem conversar abertamente sobre isso, o hebiatra ou o urologista deverá ser procurado para sanar as dúvidas e tranquilizar o jovem.


Símbolo de poder

A busca por ajuda médica é muito menos frequente do que deveria. Segundo Eloísio Alexsandro da Silva, médico responsável pelo setor de Uropediatria e Uro-adolescentes do Hospital Universitário da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), apesar do descontentamento com o tamanho do pênis ser comum entre os adolescentes, apenas uma pequena parcela busca ajuda médica, por vergonha de partilhar o assunto com os pais.

Mais comum é encontrar pais que levam crianças ao consultório com essa dúvida: "Muitos trazem até mesmo recém-nascidos, achando que o filho tem pênis pequeno", afirma o médico.

Rose Villela, psicóloga pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenadora do curso Sexualidade Humana e Corpo em Movimento no Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, afirma que essa fixação no tamanho do órgão genital é fruto do machismo de nossa cultura.

A especialista considera negativas as brincadeiras, geralmente feitas pela própria família, em relação ao assunto. Mesmo as elogiosas, que tendem a ressaltar o garoto como "bem dotado". "Nossa cultura ensina que ser másculo é ter um carrão, muitas mulheres e, obviamente, um pênis grande. Com esse tipo de brincadeira vem uma série de imposições do masculino relacionadas ao poder, que vão moldando a criança em um padrão que não é o desejável."


Dentro da média

Heranças genéticas e étnicas são elementos que influenciam no tamanho do órgão genital masculino. Sobre o padrão brasileiro, ainda há poucos estudos. Segundo a SBU, considera-se normal qualquer tamanho entre quatro e 18 cm, com o pênis em repouso, e de sete a 27 cm, quando ereto, em homens adultos.

Para crianças e adolescentes, a tabela que se considera como referência nacional é a que resultou de uma pesquisa realizada em 2007 pelo urologista Eloísio Alexsandro da Silva e outros integrantes da equipe do Serviço de Urologia da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ.

Os especialistas usaram uma medida do pênis em repouso para identificar o padrão médio em relação ao chamado micropênis, essa sim, uma alteração do padrão da normalidade, que requer acompanhamento médico. Na tabela relaciona-se um tamanho médio com a idade. Assim, aos 12, considera-se dentro do esperado que o garoto tenha um órgão com, em média, 8,6 cm e, aos 16, com 13,3 cm.

"Nossas pesquisas hoje em dia estão direcionadas ao transtorno de imagem corporal genital (dismorfia genital), ou seja, a percepção irreal ou exagerada de pequenos defeitos do corpo, nesse caso, ligados ao tamanho dopênis", diz Silva.
Um estudo realizado com 66 homens, entre 13 e 80 anos, todos com queixa de pênis pequeno, encontrou casos em que o paciente tinha o órgão com tamanho acima da média brasileira, que é de 14 cm com o pênis ereto, e identificou a necessidade de acompanhamento psicológico ou psicoterápico aos pacientes diagnosticados com dismorfia genital.

"Mais importante do que o valor objetivo medido, é o sentimento e a percepção do adolescente", afirma o pesquisador.

Quando ir ao médico

Desde os primeiros anos de vida, os pais devem acompanhar o desenvolvimento dos órgãos genitais da criança, levando-a a consultas médicas regulares. No caso dos meninos, é imprescindível observar, por exemplo, se há problema de fimose ou se os testículos estão corretamente instalados na bolsa escrotal.

O pediatra ou hebiatra tem condições de notar qualquer anomalia e encaminhar ao especialista, caso necessário. O urologista Roni Fernandes acha que o ideal é que, a exemplo do que ocorre com as meninas, ao chegar à puberdade, o menino também vá ao urologista.

Nessa fase, a consulta médica também é importante para a orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis e cuidados gerais com a saúde. O hebiatra Marcelo Nunes alerta que, além das disfunções hormonais –a principal causa dos problemas relacionados ao pênis pequeno–, o uso de esteroides anabolizantes, para ganho de massa muscular, também pode interferir no desenvolvimento dos órgãos genitais. "Os anabolizantes atrofiam os testículos", afirma.

Por fim, é bom ter em mente que não existe exercício ou remédio milagroso para aumentar o pênis. Um adolescente diagnosticado com micropênis por problemas hormonais pode ter sua disfunção tratada e retomar o seu desenvolvimento normal.


Louise Vernier e Suzel Tunes
Do UOL, em São Paulo

Fonte: Uol


Conforme a matéria acima, a preocupação com o tamanho do pênis existe e não é de hoje, a matéria só não informa que o desenvolvimento do pênis, acompanha o desenvolvimento do corpo do indivíduo, ou seja, ambos se desenvolvem até os 21 anos de idade e em grande parte dos casos de insatisfação com o tamanho do pênis ou micropênis, pode ser realizado a Reconstrução Genital a fim de devolver a este homem sua auto estima e proporcionar meios para que ele busque a felicidade, seja em sua vida conjugal, social ou profissional e é este o foco do nosso trabalho.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Aumento do pênis provoca guerra judicial


Uma cirurgia funcional ou meramente estética? Uma decisão da Justiça Federal mexeu com um dos assuntos mais reservados do universo masculino: o tamanho do pênis. De um lado, estão o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que defendem a tese de que a cirurgia para o alongamento do pênis é experimental e deve ser tratada com cuidado. Na outra trincheira está a Sociedade Gaúcha de Andrologia, que pede a liberação das operações. A guerra começou quando uma resolução do CFM foi cassada judicialmente a pedido da entidade gaúcha.

A 17ª Vara Federal, de Brasília, entendeu que o Conselho extrapolou em suas atribuições ao baixar uma resolução considerando a cirurgia experimental. Quem deveria definir os protocolos para os procedimentos científicos seria o Conselho Nacional de Saúde, um órgão ligado ao Ministério da Saúde. Na prática, isso significou o seguinte: a decisão da juíza Maisa Judice é sinal verde para as cirurgias no Brasil. Mas o processo está na fase de recurso. As duas mais representativas entidades médicas envolvidas no debate - a SBU e o CFM - reagiram em tom indignado à decisão, que não julgou o mérito do caso.


Em nota de esclarecimento, a Sociedade Brasileira de Urologia condenou qualquer operação para "o aumento do pênis através de extensores ou técnicas cirúrgicas". Essa posição acaba de ser reafirmada, em São Paulo, no II Consenso sobre Disfunção Erétil e Sexualidade, que reuniu médicos, cirurgiões e psicólogos. Quase ao mesmo tempo, o Conselho Federal de Medicina apresentou recurso à Justiça alegando que o alongamento peniano é um procedimento experimental, suas consequências ainda não são conhecidas e, para se tornar uma prática médica consagrada, deveria ter, no mínimo, 10 anos.

“A prática experimental deve ser feita apenas em hospitais universitários e sem ônus para os pacientes. Não é bem isso o que o pessoal dessa Sociedade Gaúcha de Andrologia acha do assunto”, acrescenta a advogada do Conselho Federal de Medicina, Gisele Gracindo.


Sonho masculino

“São uns talibãs”, acusa o presidente da Sociedade Gaúcha de Andrologia, o médico Bayard Fischer Santos, que encabeçou a ação movida na Justiça contra o Conselho Federal de Medicina. Bayard é defensor do aumento peniano e vem realizando as operações em São Paulo e Porto Alegre, onde mantém clínicas. É também autor de um livro sobre o tamanho do pênis que já vendeu, em dois anos, 10 edições.

Do outro lado, os "fundamentalistas" das duas entidades médicas criticam a constante presença de Bayard em programas populares da TV, nos quais aparece tendo à mão um pênis de plástico para ilustrar as entrevistas. O andrologista teria, ainda segundo seus críticos, o hábito de relacionar o sucesso de Aristóteles Onassis, tanto nos negócios quanto nos amores, ao tamanho do pênis do magnata grego.

Ter um pênis maior parece ser um desejo comum a maioria dos homens, como observa o presidente da Sociedade Internacional para o Estudo da Sexualidade e Impotência, o brasileiro Sidney Glina (leia a entrevista). Esse desejo pode ter consequências dramáticas. Há relatos de pacientes que cometeram suicídio após o fracasso de uma operação que causou impotência no paciente.

“Nós temos o dever social de condenar essas operações”, diz o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, Eric Roger Wroclawski. Ele apresenta argumentos para repudiar a técnica: segundo Wroclawski, não há na literatura médica dados científicos que confiram credibilidade à técnica. "Não estamos brigando contra ninguém, mas precisamos refletir um pouco mais sobre o assunto. Para nós, é um perigo falar em aumento peniano", diz o presidente da SBU, insistindo em que há carência de dados científicos sobre o assunto: “Abundam evidências de que essas operações resultam em complicações, o que é confirmado na prática dos nossos consultórios. A solução não é aumentar o pênis. Não é assim: ficou maior, funcionou melhor”.


Auto-estima

O andrologista Bayard Fischer Santos discorda da Sociedade Brasileira de Urologia. Ele diz que listou, na ação movida contra o Conselho Federal de Medicina, 1.000 trabalhos científicos sobre o assunto e acredita que, hoje, o total de relatos deve ultrapassar os 10 mil. Há, segundo ele, centros especializados no aumento peniano todo o mundo.

“Eu sou espanhol de nascimento. E, na Espanha, há 12 mil centros-pilotos de fisioterapia de pênis. Nos Estados Unidos, a cirurgia para o aumento de pênis é bem aceita. Há estimativas de que 10% dos homens tenham pênis menores de 12 centímetros de comprimento e de 10 centímetros de perímetro em ereção. Nesse caso, até por razões de auto-estima, é recomendável o aumento peniano”, diz Bayard, que será o organizador do VII Congresso Mundial sobre Aumento Peniano, no Rio, em dezembro deste ano.

Para o presidente da SBU, a aprovação por uma sociedade médica norte-americana não é garantia irrestrita, porque o alongamento do pênis é reprovado por outras duas sociedades médicas americanas - uma delas é a Associação Americana de Urologia (AUA). Eric Roger Wroclawski lembra ainda aos interessados que o aumento ocorre quando o órgão está flácido e não ereto. “Qual é o valor de um pênis flácido? Quanto ele aumenta ereto? Qual é o valor disto? Plástico? Estético? Serve apenas para o banheiro do clube. O cara olha e diz: ‘olha que bilau grande ele tem’”, detona Wroclawski.

O Conselho Federal de Medicina espera que o Conselho Nacional de Saúde siga o seu caminho e considere a operação experimental, exigindo, a partir disso, o cumprimento de uma série de protocolos científicos. A advogada do CFM, Gisele Gracindo, afirma que há outro problema por trás da polêmica: “O que os defensores da operação querem é que a prática seja reconhecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Vamos então desviar dinheiro do tratamento do câncer ou da leucemia para um tratamento que deve ser psicológico? Isso não é doença. O debate sobre esses centímetros é absurdo”.

Por outra razão, o médico Bayard também afirma que o debate não tem sentido: “Essa cirurgia já foi liberada em todo o mundo. O Brasil está atrasado nesse assunto”.